sábado, 24 de maio de 2014

Mitos Históricos: Dom Pedro I



Você já ouviu falar em Reconstrução de Memória?

Por mais que hoje a maioria de nós brasileiros aceite a República como nossa forma legítima de organização estatal, é impossível negar que ela foi implantada através um golpe de estado. Um golpe militar, com pouco ou nenhum apoio popular.

Como no caso de qualquer manobra política ousada deste tipo, a nova elite precisou justificar, tanto para o momento quanto para a posteridade, suas ações, para evitar que elas passassem por simples usurpação. Um dos mecanismos mais eficientes para isso é reconstruir a memória que a população tinha sobre os antigos governantes.

Se tem uma figura fascinante que foi seguidamente execrada ao longo do último século foi nosso primeiro imperador, Dom Pedro I. É verdade; ele era um homem de ação, pouco metódico e muito diferente de seu filho, Pedro II. Mas nem tudo o que você aprendeu sobre ele era verdade.

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1. D. Pedro I era um ignorante, iletrado e sem estudo

Você chamaria de ignorante alguém que fala Português, Latim, Inglês, Francês e um pouco de Alemão? Ou alguém cuja obra literária favorita era a Eneida, do poeta romano Virgílio (lida no idioma original)? Sim, Pedro estava abaixo da educação esperada de um monarca da época (ou de sua esposa, Dona Leopoldina), mas estava longe de ser ignorante. Era especialmente versado em música (uma tradição dos Bragança), tendo composto inclusive nosso Hino da Independência. E ainda escrevia, sob pseudônimos, dezenas de cartas aos jornais locais, rebatendo as críticas ao seu governo.

Os Primeiros Sons do Hino da Independência, de Augusto Bracet


2. D. Pedro I era um grosseiro, que ignorava a esposa e os filhos

Sim, ele gostava de festejar e tinha várias amantes. Como qualquer nobre da época. Por mais que possamos julgá-lo com base nos valores morais de hoje, o casamento dentro de uma grande família era um acordo político, e não se esperava que o homem fosse fiel (no máximo que evitasse envergonhar sua esposa). Além disso, D. Pedro e D. Leopoldina tinham uma relação bastante amigável. Ela - bastante instruída e tendo trazido da Europa uma corte que era praticamente uma universidade - o ensinou algo de política, economia, botânica e do idioma alemão, e ele a ensinou música. Além disso, suas cartas revelam ao menos algum nível de preocupação e afeto por seus filhos, especialmente Pedro (futuro imperador).


3. D. Pedro I era um mau governante, absolutista e com sede de poder

Na verdade, Dom Pedro I era tido em sua época como um ícone de monarca constitucional. De fato, foi o único rei a qual foram oferecidas nada menos que 4 coroas nacionais, das quais todas ele recusou ou abdicou.
- A primeira, conquistada em 1822, foi a do Brasil, da qual abdicou pouco tempo depois, em 1831.
- Em 1826, quando seu pai morreu, abdicou da coroa portuguesa em favor de sua filha, D. Maria. Quando seu irmão D. Miguel usurpou o governo de Portugal para si, Pedro ainda lutou para derrubá-lo, o que conseguiu em 1834, quando recusou a coroa portuguesa novamente.
- Desde o fim do domínio napoleônico, a Espanha embarcou em uma crise e uma guerra civil entre absolutistas e constitucionalistas. Entre 1826 e 1830, Pedro I foi procurado três vezes pelos constitucionalistas para liderar em seu nome e clamar a coroa para si, mas recusou.
- Em uma longa luta de libertação contra o Império Otomano entre 1821 e 1830, os gregos pediram pelo apoio e liderança de Pedro I e ofereceram a ele a coroa, que ele recusou.

Abdicação de Dom Pedro I do Brasil, de Aurélio de Figueiredo

quarta-feira, 7 de maio de 2014

As batalhas medievais e o cinema



Desde pequeno, sempre adorei filmes com ambientação medieval ou (melhor ainda) fantasia medieval. Castelos, cavaleiros, duelos de espada, princesas... o pacote completo. Mas tinha um momento específico em todos estes filmes que me deixavam mais empolgado, pulando no sofá. As grandes batalhas.

Centenas ou milhares de humanos (ou monstros) de armadura, se acertando furiosamente com espadas e machados, em uma porradaria franca e sanguinária. Até nos RPGs que eu jogava ou narrava, minha intenção (nem sempre realizada) era sempre participar de guerras e batalhas campais. Pra ter uma noção, eu achava armas de fogo coisa de covarde, e só fui me interessar pro guerra moderna depois de Tropa de Elite e Band of Brothers.

Dando um salto adiante, o interesse por Idade Média me levou a estudar universitariamente História, e o interesse por batalhas me levou a estudar (extra-universitariamente) História Militar e Estudos Estratégicos. Chegando ao ponto de pesquisar manuais da época e assistir a dezenas de vídeos de reconstituições realistas de combates.

Mas aí entra a ironia da coisa: quanto mais eu aprendo sobre a realidade das batalhas medievais, mais difícil fica tolerar os filmes sobre isso. Eles erram muito! MUITO! Alguns mais do que outros, mas, de modo geral, não consigo assistir uma cena sem uma contagem de pelo menos cinco facepalms pro minuto.

Resolvi então escrever este texto, expondo apenas os "erros" (ou escolhas) mais básicos e mais comuns cometidos pelos cineastas.

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1. Formação de combate

Essa é a que mais dói de ver. Ao invés dos combatentes se organizarem em linhas e blocos, defenderem posições e lentamente ganharem ou perderem terreno, eles simplesmente se espalham por um campo e começam a lutar combates individuais, onde os personagens principais matam dezenas de inimigos que surgem por todos os lados.

A verdade é que batalhas eram bastante organizadas, e travadas em grupo, não individualmente.

Pra que formar uma coluna e defender aquela escada se a gente pode simplesmente se espalhar pelo pátio e lutar individualmente, né?


2. Escolha das armas

Espadas são legais, eu concordo. Machados também. Mas a verdade inconveniente é que a maior parte das batalhas era resolvida exclusivamente com lanças. Em combates entre blocos, onde a mobilidade individual é limitada, o alcance elevado da lança é a maior vantagem que se pode desejar.

A espada é superior em duelos individuais ou quando os blocos de soldados se chocavam e se misturavam, mas isto raramente acontecia. Em geral, o lado que está levando a pior simplesmente recua. Combates de curta distância causam baixas demais para serem uma estratégia padrão.

Com a formação organizada e o protagonismo das armas de haste, uma batalha devia ser mais ou menos assim


3. As Armaduras

Existe todo uma capítulo à parte quanto à falta de realismo e fidelidade histórica na aparência das armaduras, tanto em filmes de fantasia (onde isso é mais desculpado) quanto em filmes supostamente históricos. Não é disso que vou reclamar aqui, mas do funcionamento delas.

Muitas vezes, vemos espadas e flechas cortando e penetrando facilmente através de armaduras e elmos. O que não faz o menor sentido. A resposta é tão óbvia que chega a ser ridícula: se a armadura fosse tão inútil, as pessoas não usariam. A verdade é que poucos golpes causavam ferimentos graves.

Se uma espada corta tão bem, pra que se dar ao trabalho de usar armadura? Estilo?


4. O Sangue

Esse erro é mais ou menos uma extensão do anterior. Filmes como Cruzada adoram colocar shots de litros de sangue voando a cada golpe de espada, para aumentar a dramaticidade e fazer os fãs de gore urrarem. Mas os combatentes medievais usavam, por baixo da armadura, roupas grossas e acolchoadas, para aumentar a proteção. Mesmo no caso de um golpe que penetrasse a carne, as várias camadas de tecido impediriam o sangue se sair voando cinematograficamente, exceto em partes expostas do corpo (como o rosto, dependendo do tipo de elmo).


O velho combo: armaduras que não funcionam + inimigos que são bolhas de sangue prestes a explodir


5. O Resultado

Muitos cineastas acham que o único desfecho apropriado para uma batalha é a morte de todos os combatentes de um dos exércitos, definindo assim a vitória do outro. Talvez isso faça sentido quando seus inimigos são Uruk-Hai, mas humanos tendem a recuar, se render ou fazer acordos assim que se sentem em desvantagem.

De fato, a quantidade de mortos em uma batalha medieval costumava ser minoritária, o que explica como um mesmo cavaleiro conseguia participar de várias batalhas ao longo da vida. Além disso, uma guerra é como uma discussão, na qual os seus soldados são seus argumentos. Assim que você demonstrou sua superioridade e ganhou a discussão, não tem por que gastar mais soldados eliminando o oponente completamente.

De um lado, 100% de mortos. Do outro, 95%. Parece que temos um vencedor! Ao menos até ele perder tudo de novo daqui a uma semana, por falta de guerreiros

terça-feira, 6 de maio de 2014

Música é coisa de adolescente?



Antes de mais nada, quero deixar claro que esse texto é apenas, como sugere comodamente a imagem acima, uma reflexão. Não tenho ponto a provar aqui, nem ideia a defender. Ele surgiu de uma dessas recaídas nostálgicas, em que você passa um ou dois dias revisitando as músicas saudosas, os filmes clássicos e as velhas fotos de algum período bom do seu passado. Tenho certeza de que não sou o único a fazer isso de vez em quando. Acho até saudável.

Fazendo isso outro dia (hoje), lembrando do meu colegial, cheguei a uma conclusão: cara, a gente era obcecado pro música! Não falo de ouvir música; isso eu acho que a maioria dos meus amigos e conhecidos ainda faz bastante. Estou falando de a maioria absoluta das nossas interações sociais envolver música.

Corrigindo então o título do post: Música [como matriz central de interação social] é coisa de adolescente?


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Há alguns anos atrás, minha página inicial do orkut era preenchida quase inteiramente por videoclipes, letras de músicas e curiosidades sobre membros de bandas. Era comum até ter um álbum com fotos das suas bandas favoritas. Hoje, minha página inicial do facebook é basicamente videogame, memes e Game of Thrones. Poucos conhecidos da minha idade ainda se dão ao trabalho de conhecer bandas novas, e em geral só recomendam pros outros se for pauta de podcast.

Comecei a fazer uma lista de bandas da época que a gente ouvia (excluindo os clássicos de décadas anteriores, que a gente também curtia), e eram MUITAS. Quantas de hoje a gente ouve? A maioria dos meus amigos mal saberia citar uma ou duas.

Há alguns anos, com toda a relativa limitação tecnológica da época, vivíamos mostrando músicas e vídeos uns pros outros nos nossos mp3's e mp4's. Hoje, com smartphones e tablets incríveis, não fazemos mais isso. A geração um pouco mais jovem faz; a minha, aparentemente não.

Quando eu tava no colégio, sempre havia dois ou três violões espalhados pelo pátio, cada um com a devida rodinha de ouvintes ao redor, cantando junto e tentando bater palmas no ritmo. Agora, na faculdade, raramente vejo um violão. Quando vejo, é parte de alguma rodinha de samba irônica e bem desanimada.

Com algumas exceções, quase todo mundo que tava tentando aprender a tocar guitarra na época (e era gente pra caralho), hoje já vendeu o instrumento ou deixou acumular poeira num canto. E as sessões de ficar assistindo videoclipes? Substituídas inteiramente por sessões de vídeos engraçadinhos ou game commentaries. Meus contemporâneos ainda assistem videoclipes?

Da uma sensação estranha notar que a maioria das pessoas que vejo usando camisetas de bandas é mais nova que eu.

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Vejam bem, a gente ainda ouve música. Muito. Mas parece que não somos mais tão vidrados nisso. Parece que ela fica restrita a seus espaços: os fones de ouvido e a boate, talvez. Queria saber se isso é um fenômeno generalizado, ligado à idade, ou se só aconteceu entre as pessoas que me cercam.

Não vou terminar esse texto com lamentos: voltar ao passado, por mais gostoso que ele tenha sido, não traz bem nenhum (o que não deixa de ser uma frase estranha, vinda de um historiador). Mas que dá saudades, isso dá.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A história da História... em podcast!



Vou contrariar mais uma vez aquela minha regra de não postar material não próprio, em prol de fazer uma recomendação. Acho que posso me justificar (perante... eu mesmo?) com o fato de que o podcast em questão (mais especificamente o grande Professor Barbado, que participou) me citou, e estou apenas retribuindo o favor.

Estou falando do episódio 25 do SciCast, sobre a história da História; um podcast que eu não conhecia, mas definitivamente passarei a ouvir daqui em diante. E não estou recomendando só porque fui mencionado; o episódio foi realmente muito bom, engraçado e teve até a participação especial do famoso Eduardo Spohr.

Minha única ressalva é quanto a algumas... injustiças, talvez, cometidas com o Heródoto, mas sobre isso eu pretendo escrever um post aqui, então não vou falar mais nada.

É isso. Vão lá escutar!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Temporada Primavera 2014 - Primeiras Impressões PT2



Continuação desse post aqui.

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Mangaka to Assistant-san to


Comédia, Ecchi, Seinen, Slice of Life

A vida do mangaka Aito Yuuki e sua assistente Ashisu Sahoto. Aito não consegue entender os sentimentos dos personagens em suas histórias. Então, ele pede para Ashisu ajudá-lo. Ashisu faria tudo pelo trabalho. Ela até o deixaria tocar em seus seios para que ele soubesse como é a sensação? Podemos entendê-los? Essa é a comédia sobre a vida de um mangaká.


Um formato interessante, de historinhas cômicas curtas (cerca de três minutos) e emoções superlativas. O importante neste tipo de formato é ritmo, o que ManAshi faz bem. Suas piadas até funcionam, mas estão restritas às temáticas de ecchi e pantsu (calcinhas); quem não gosta desse gênero não tem qualquer motivo para assistir ManAshi.

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Isshuukan Friends


Comédia, Escolar

A história gira em torno de Yuki, um garoto que quer se tornar amigo de sua colega e vizinha de mesa Kaori. No entanto, ela declina suavemente sua amizade dizendo: “Mas, as memórias de minhas amizades desaparecem em uma semana…” Mesmo assim, Yuki quer tornar-se seu amigo e assim os dois se tornam amigos a cada semana.


Um drama leve e pouco pretensioso, mas que consegue cumprir a proposta de comover. Impecável no quesito técnico, com um ritmo lento, interpretações comedidas, trilha sonora suave e uma arte que acompanha tudo muito bem, com traços simples e cores claras.

A escolha de focar em poucos personagens (são apresentados apenas três no primeiro episódio, sendo dois protagonistas e um coadjuvante) funcionou, pois os três são carismáticos e "convencem". Grandes expectativas.

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Atelier Escha & Logy - Alchemists of the Dusk Sky


Fantasia


Este mundo passou por muitos Crepúsculos e está se aproximando lentamente de seu fim. Dentro deste mundo , nos confins ocidentais da “Terra do Crepúsculo” houve uma nação que prosperou graças ao uso da alquimia. Lá, a fim de sobreviver à eventual chegada do “Fim Crepuscular” o povo dedicou seus esforços para redescobrir e recriar tecnologias alquímicas perdidas e impedir o fim crepuscular. Os heróis da história são um jovem que pesquisou a alquimia na cidade conhecida como “Central”, o Logy, e uma garota que vive em uma pequena cidade na fronteira, a jovem Escha. Ambos são transferidos para o Departamento de Desenvolvimento. Os dois fazem uma promessa de usar a sua alquimia juntos e trazer sucesso para o Departamento.


O que mais chama atenção, ao menos por enquanto, nesse anime é o design do mundo, com uma bela pegada steampunk ou vitoriana. As vestimentas em especial são muito legais e dariam cosplays fantásticos (e muito difíceis de confeccionar). O resto dos quesitos técnicos também não fazem feio, embora não se destaquem.

Os personagens, por outro lado, deixam muito a desejar. A protagonista feminina (Escha) é o mais puro clichê de personagem fofinha-kawaii-moe-moe-me-ame-por-favor, do tipo que dá vontade de dar um tapa da cara a cada cinco minutos. Já o protagonista masculino (Logy) é o clichê do personagem fodão, sem um pingo de carisma. Quanto à trama, não foi possível observar nada no primeiro episódio.

Eu tinha esperanças por esse anime, mas me decepcionei.

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Kenzen Robo Daimidaler


Ação, Comédia, Ficção Científica, Mecha

A comédia gira em torno de um garoto do ensino médio chamado Kouichi Madanbashi que tem partículas Hi-ERO, a fonte de energia para fazer funcionar a arma robótico Daimidaler. Com a ajuda de Kyouko Sonan da misteriosa organização “Príncipe do Salão de Beleza”, ele se levanta contra o Império do pinguim que preocupa a humanidade.


Robôs gigantes. Tiros. Explosões. Um delinquente colegial à moda antiga. E nudez. Se você gosta destas coisas, e quer vê-las todas misturadas de uma forma sem noção, esse é o seu anime!

Sejamos honestos: Kenzen Robo Daimidaler não é nenhum primor de trama ou profundidade. Mas é honesto e vai direto ao ponto. É engraçado. E os personagens, por mais dolorosamente rasos e clichê, ao menos são carismáticos.

Destaque para os grunts (capangas) inimigos: caras vestidos com roupas colantes de pinguim, com direito a um "rabo frontal". Mais galhofa, impossível. Outro destaque para a abertura e tema de batalha extremamente empolgante, no estilo das antigas aberturas de tokusatsu. Promete ser um dos melhores animes dessa temporada.

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Blade & Soul


Fantasia, Aventura

A paz de mil anos está chegando ao fim. O nascente Império do vento se esforça para derrubar o decadante Império Stratus e unir os quatro continentes em uma nova era de igualdade, ainda que uma igualdade imposta pelo poderio militar. Em meio a estes problemas e conflitos surgem os antigos Darksiders com o nefasto Jin Seoyeon como o prenúncio de sua volta… Com as pessoas lutando entre si pode não haver ninguém para se opor a seus planos do mal e salvar o mundo. Baseado no MMORPG coreano “Blade & Soul”.


O que esperar de um anime baseado em um MMORPG coreano? Eu te digo o que: trama batida, mundo genérico, personagens desinteressantes e toneladas de diálogos expositivos. E é exatamente isso o que ele entrega. Não consigo pensar em bons motivos para assistir isso.

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Sidonia no Kishi


Ação, Fantasia, Sobrenatural, Seinen

Mil anos se passaram desde que Gauna, uma raça alienígena com nenhum método conhecido de comunicação, destruiu o sistema solar. Uma parte da humanidade conseguiu escapar usando enormes “navios de sementes”, como a Sidonia, que lhes permitiram manter a população enquanto deriva pelo espaço. Nagate Tanikaze é um jovem que tem sido criado nas entranhas do navio. Quando ele entra em treinamento para pilotar as enormes armas robóticas conhecidas como Gardes, Nagate é encarregado de pilotar o aparelho lendário conhecido como Tsugumori. Nagate e seus companheiros pilotos colocam suas vidas em jogo contra os Gauna, na batalha final pela sobrevivência da humanidade!


É um anime ousado, a proposta é interessante e o mundo criado também. A animação em 3D é diferente e chamativa, mas acaba não funcionando muito bem em alguns momentos. A trama causa interesse com seu tom misterioso, mas o roteiro peca um pouco em ritmo, com as coisas acontecendo muito de repente.

Vale a pena conferir, no mínimo por ser algo bastante diferente do comum. Mas ainda é cedo pra dizer se será de fato um bom anime.

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Mekaku City Actors


Comédia, Ficção Científica, Romance

Shintaro Kisaragi – um HikiNEET que se fechou dentro de seu quarto por 2 anos tem vivido sua vida normalmente até que ele conhece uma garota cibernética chamada Ene, que apareceu na tela do computador quando alguém anonimamente enviou-lhe um misterioso e-mail há um ano. Um dia, Ene foi bagunça com o PC de Shintaro, obrigando-o a ir ao mundo exterior pela primeira vez em 2 anos.


Mais um que pode ser classificado como ousado. O visual é muito particular, principalmente no que se refere ao uso das cores. E a própria direção e estrutura narrativa são bem experimentais. Mas (pra mim ao menos) acabou perdendo um pouco a mão e se tornando cansativo, principalmente com uma personagem virtual tagarelando o episódio inteiro com uma voz muito aguda e irritante.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mitos Históricos: A Escravidão Indígena



Como você estudou (ou deveria ter estudado) na escola, quando os portugueses chegaram a estas terras que viriam a se tornar o Brasil, a primeira mão de obra que empregaram em larga escala foi a de escravos indígenas, da mesma forma como faziam os espanhóis. Mas logo os colonos portugas substituíram os indígenas por escravos importados da áfrica subsaariana.

Pode-se até dizer que o erro começa aí. Em todo o interior - tudo após a serra do mar, em especial na região equivalente a São Paulo, Paraná, Goiás e Minas Gerais - os nativos continuaram a ser apresados às centenas e usados como mão de obra pelo menos até o início do século XIX.

Mas, para ser honesto, em toda a região litorânea - na época muito mais habitado e importante - os escravos importados de áfrica realmente substituíram os nativos. O que nos leva à próxima questão: POR QUE?

Soldados da Comarca de Curitiba conduzindo índios aprisionados, obra de Jean Baptiste Debret

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Provavelmente, seu professor ou professora do Ensino Fundamental te deu uma ou mais das seguintes explicações:

1. Os índios fugiam muito mais facilmente, pois conheciam a terra e a mata.

As operações de apresamento quase sempre consistiam em atacar diretamente as aldeias ou mesmo as missões jesuíticas (até porque era mais fácil capturar índios já convertidos). Depois da batalha, todos os índios que não tivessem sido mortos eram capturados como escravos. Assim, um índio que fugisse não teria casa para onde voltar, e nem mesmo um índio é capaz de viver SOZINHO no meio do mato por muito tempo. Além disso, os captores tinham ao seu lado outros índios e mestiços, que conheciam a floresta tão bem quanto qualquer possível fugitivo.

2. Os índios eram mais fracos e morriam mais facilmente, pois não estavam acostumados a trabalhar.

Mesmo vivendo em comunidade, a vida na Mata Atlântica não é assim tão fácil. Essa explicação com certeza veio de alguém que nunca sequer pisou em uma mata, e acha que elas são florestas encantadas como em um filme da Disney, com passarinhos te trazendo frutas enquanto você se balança na rede. A vida dos índios eram dureza, e eles eram tão fortes e resistentes quanto qualquer africano.

3. A Igreja Católica condenava a escravidão indígena pois estes deveriam ser catequizados, enquanto os africanos teoricamente não seriam dotados de alma.

Existiam de fato religiosos que condenavam a escravidão indígena, mas não a africana. Como haviam outros que condenavam ambas as escravidões. Ou nenhuma das duas. Acontece é que a Coroa Portuguesa patrocinava aqueles cujo discurso religiosos se encaixava em seus projetos de Estado.

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Qual a explicação real então?

A decisão pela substituição da mão-de-obra partiu não dos colonos, mas da Coroa Portuguesa. Os indígenas eram capturados por colonos e vendidos para colonos, de forma que este dinheiro pago ficava por aqui mesmo. Já os africanos eram capturados na África e vendidos na Colônia, mas por mercadores portugueses. Assim, o dinheiro do pagamento (inclusive muito mais caro, por causa do "frete" marítimo) acabava indo para Portugal, constituindo mais uma importante fonte de receita para a Coroa Portuguesa.

domingo, 6 de abril de 2014

Temporada Primavera 2014 - Primeiras Impressões pt1



Caso você não saiba o que diabos é uma temporada de anime, leia aqui e me poupe de ter que escrever de novo.

Blablabla anime... blablabla Primavera.... blablabla Hemisfério Norte. Vamos logo ao que interessa.

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Captain Earth



Ação, Mecha, Ficção Científica

Uma noite, logo antes das férias de verão, Daiji Manatsu, um estudante do segundo ano, vê um arco-íris redondo estranho flutuando no céu acima de Ilha Seed e vai até o estranho fenômeno sozinho. Ele viu este arco-íris antes. Com as memórias da morte misteriosa de seu pai e de um encontro de um menino e uma menina misteriosa, Daiji chega à ilha, enquanto o alarme de um edifício identificado como “Earth Engine” é ligado. A batalha em torno das estrelas brilhando está prestes a começar.


Com uma mistura de ficção científica, mechas e uma trama misteriosa, é provável que este seja um dos grandes hypes da temporada.

Nos quesitos técnicos, ao menos, ele se saiu muito bem. O traço é bom (incluindo o uso das cores), a animação é de alto nível, o design dos personagens também não é ruim, apesar de um pouco genérico. O destaque fica pro design das tecnologias e pra montagem de som e trilha sonora.

Mas no quesito narrativo ele deixou MUITO a desejar. Algumas coisas incomodam especialmente: informação de trama sendo revelada quando uma personagem esbarra no controle remoto e muda de canal; e um personagem apostando um valioso amuleto, presente de seu pai, com um estranho que acabou de conhecer. Além disso, a linha temporal é confusa (com um monte de flashbacks em tempos indefinidos) e tudo é muito jogado. Não dá pra aceitar o personagem pilotando um robô gigante do nada no final do episódio.

Vou esperar que os problemas de narrativa se devam a uma tentativa de condensar informação demais eu um capítulo só. Se for o caso, e se o anime tiver um ritmo melhor daqui para frente, ele tem um grande potencial.

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Haikyuu!!



Esporte, Shonen

A história segue Shouyou Hinata que começou a jogar vôlei depois de ver os “pequenos gigantes” que jogaram o esporte quando ele estava na escola primária. Ele sofre uma derrota esmagadora em seu primeiro e último torneio no ensino médio nas mãos de seu rival Tobio Kageyama. Então, Hinata se junta a equipe de vôlei da Escola Kurasuno jurando vingança contra Kageyama. No entanto, Kageyama também está na equipe da Kurasuno. Os ex-rivais formam uma combinação lendária com a mobilidade de Hinata e a precisão manipulação de bola de Kageyama.



O grande anime de esportes desta temporada. E talvez o mais promissor.

Apesar de não ter nenhum diferencial como o que Yowamushi Pedal (o excelente anime de esportes da última temporada de outono) trouxe, esse primeiro episódio foi explosivamente bom. O protagonista cativa logo de cara, e seu laço com ele aumenta ainda mais em função dos flashbacks muito bem montados (ao contrário dos de Captain Earth).

Nos quesitos técnicos, também não há reclamações. O design de personagens trabalha de forma sutil; exceto no caso do protagonista, que se destaca facilmente do resto. A arte e a animação são fiéis ao esporte retratado, e, junto com a trilha sonora, trabalham com uma única intenção em mente: empolgar. E é impossível não ficar empolgado.

Se você gosta de animes de esportes, ou se não tem nada contra eles, vale muito a pena assistir Haikyuu. A única característica dele que pode afastar alguns espectadores é algo que faz parte do gênero: ele muito (MUITO) overdramatic.

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Soredemo Sekai wa Utsukushii


Aventura, Fantasia, Romance, Shoujo

Nike, a quarta princesa do Ducado da Chuva e aquela que detém o poder de evocar a chuva, viaja para o Reino do Sol para casar com Rei Livius pelo seu país, apesar de sua própria relutância. Ela logo descobre que o Rei, que conquistou o mundo em apenas três anos depois de sua ascensão ao trono, ainda é uma criança!


Uma grata surpresa! A sinopse não parece grandes coisas e a arte não chama muito a atenção, podendo fazer com que muita gente nem dê uma chance a ele. Mas a protagonista é muito carismática e a veia cômica é sensacional, com direito a quebra da quarta parede. Para quem não sabe, a quarta parece é a que separa a obra dos espectadores; em uma cena, uma dupla de bandidos idiotas (no melhor estilo Esqueceram de Mim) parece saber que estão dentro de um anime.

Preciso admitir: o anime é meio bobão. Mas funciona maravilhosamente bem como um entretenimento leve e descontraído. É tão zoado que até o encerramento me fez rir.

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Akuma no Riddle


Ação, Escolar, Yuri

A história se passa na Academia Myoujou, um internato privado para meninas. A classe Kurogumi tem 12 assassinas com um alvo: Haru Ichinose. Tokaku Azuma é uma delas, mas gradualmente desenvolve sentimentos por Ichinose.


Uma espécie de Battle Royale entre garotas gostosas e garotinhas bonitinhas. Na prática, não passa de um amontoado de clichês mal utilizados, com direito a vilãozinho de terno, menina exageradamente inocente e uma coleção zoológica de assassinas profissionais. Cada uma mais sem carisma que a outra.

Pra ser honesto, não foi uma perda completa de tempo. Consegui me divertir e dar umas risadas zoando os absurdos do anime. E a trilha sonora é boa. Mas duvido que o anime se sustente por muito tempo, a menos que o romance entre as garotas acabe sendo bom.

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Bokura wa Minna Kawaisou


Comédia, Romance, Escolar, Slice of Life

Usa, um estudante de ensino médio que aspira começar uma vida de solteiro, se muda para um novo apartamento apenas para descobrir que ele não só divide um quarto com um companheiro de quarto pervertido que tem uma obsessão com meninas menores de idade, mas também que uma outra menina, Ritsu, amor à primeira vista, está vivendo no mesmo edifício!


Um anime com alguns acertos e alguns erros. Em primeiro lugar, a dificuldade de fazer os diversos gêneros se entrosarem. O Romance não funciona bem. Simplesmente não rola química entre os personagens, por mais que o anime tente te convencer que rola. O anime consegue construir um bom clima de Slice of Life, mais sereno, mas ele é completamente destruído pelas cenas de Comédia mais escrachada.

A Comédia funciona bem, sobretudo quando acontece ao redor de dois personagens secundários específicos (o colega de quarto masoquista e a colega de pensão que aparece completamente bêbada). O problema é que a constante intercalação de gêneros acaba tornando o anime um pouquinho cansativo.

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De modo geral, essa temporada até que não tá ruim. Não teve nenhum anime que me fizesse largar na metade do episódio de tão desagradável, ao menos nessa primeira leva. Infelizmente, também não teve nada que se destacasse da maneira como alguns da temporada passada.

Vou esperar pra ver o que mais vem por aí.