terça-feira, 6 de maio de 2014

Música é coisa de adolescente?



Antes de mais nada, quero deixar claro que esse texto é apenas, como sugere comodamente a imagem acima, uma reflexão. Não tenho ponto a provar aqui, nem ideia a defender. Ele surgiu de uma dessas recaídas nostálgicas, em que você passa um ou dois dias revisitando as músicas saudosas, os filmes clássicos e as velhas fotos de algum período bom do seu passado. Tenho certeza de que não sou o único a fazer isso de vez em quando. Acho até saudável.

Fazendo isso outro dia (hoje), lembrando do meu colegial, cheguei a uma conclusão: cara, a gente era obcecado pro música! Não falo de ouvir música; isso eu acho que a maioria dos meus amigos e conhecidos ainda faz bastante. Estou falando de a maioria absoluta das nossas interações sociais envolver música.

Corrigindo então o título do post: Música [como matriz central de interação social] é coisa de adolescente?


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Há alguns anos atrás, minha página inicial do orkut era preenchida quase inteiramente por videoclipes, letras de músicas e curiosidades sobre membros de bandas. Era comum até ter um álbum com fotos das suas bandas favoritas. Hoje, minha página inicial do facebook é basicamente videogame, memes e Game of Thrones. Poucos conhecidos da minha idade ainda se dão ao trabalho de conhecer bandas novas, e em geral só recomendam pros outros se for pauta de podcast.

Comecei a fazer uma lista de bandas da época que a gente ouvia (excluindo os clássicos de décadas anteriores, que a gente também curtia), e eram MUITAS. Quantas de hoje a gente ouve? A maioria dos meus amigos mal saberia citar uma ou duas.

Há alguns anos, com toda a relativa limitação tecnológica da época, vivíamos mostrando músicas e vídeos uns pros outros nos nossos mp3's e mp4's. Hoje, com smartphones e tablets incríveis, não fazemos mais isso. A geração um pouco mais jovem faz; a minha, aparentemente não.

Quando eu tava no colégio, sempre havia dois ou três violões espalhados pelo pátio, cada um com a devida rodinha de ouvintes ao redor, cantando junto e tentando bater palmas no ritmo. Agora, na faculdade, raramente vejo um violão. Quando vejo, é parte de alguma rodinha de samba irônica e bem desanimada.

Com algumas exceções, quase todo mundo que tava tentando aprender a tocar guitarra na época (e era gente pra caralho), hoje já vendeu o instrumento ou deixou acumular poeira num canto. E as sessões de ficar assistindo videoclipes? Substituídas inteiramente por sessões de vídeos engraçadinhos ou game commentaries. Meus contemporâneos ainda assistem videoclipes?

Da uma sensação estranha notar que a maioria das pessoas que vejo usando camisetas de bandas é mais nova que eu.

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Vejam bem, a gente ainda ouve música. Muito. Mas parece que não somos mais tão vidrados nisso. Parece que ela fica restrita a seus espaços: os fones de ouvido e a boate, talvez. Queria saber se isso é um fenômeno generalizado, ligado à idade, ou se só aconteceu entre as pessoas que me cercam.

Não vou terminar esse texto com lamentos: voltar ao passado, por mais gostoso que ele tenha sido, não traz bem nenhum (o que não deixa de ser uma frase estranha, vinda de um historiador). Mas que dá saudades, isso dá.

1 comentários:

Paula de Pinho disse...

Ando refletido exatamente sobre isso nestes último dias! Excelentíssimo texto.

A propósito, minha reflexão me deixou animada para conhecer bandas novas (e tenho até descoberto algumas bem legais), mas não sinto uma obsessão tão grande por isso como sentia a alguns anos atrás.

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